<há tanto desordem lá fora, e aqui dentro também>
por que encenar algo
e quando a gente escolhe
o que se abre
quando a gente tenta
fazer ver?
joga pro foco algo que não estava antes,
ou de tão evidente
sangra em jorro
e precisa
eu queria falar
sobre o que me sangra
quem vai ouvir
tem alguém lendo aí
(isso é uma pergunta)
um espetáculo
é uma pergunta
ou uma resposta
(isso é uma pergunta)
tem alguém aí
dentro
(tudo anda tão líquido, turvo como sangue mesmo.
a gente chega sangrando pra sala de ensaio, estanca e segue.
jornadas extenuantes de outros trampos, de outras horas, descem pela goela.
talvez tudo vire grito e fúria)
mãe, micro-empreendedora, atriz com especialização em pepinos e projetos, freeelancer de publicidade, contadora de histórias de ninar, marketeira, cozinheira master chef em introdução alimentar com doutorado em "só maix um pôquinho mamain" e birras, fotógrafa de poéticas urbanas e sui generis, construtora de casas de papelão e criadora de bois bumbás pintados de guache, rainha elizabeth em limpezas de banheiro, telemarketing, negociante com vasta experiência em economia doméstica, atuando na governança das compras semanais em supermercados de bairro, médica domiciliar de noites mal dormidas, animadora de festas e folias, jardineira experimental, modelo e dançarina, conciliadora de tretas, grande pintora de desenhos abstratos em lápis de cor, crítica teatral de youtube, com formação em teatro, turismo e toré, capoeirista standing, apertadora de botões sonoros, mestranda em chacolhar o bumbum no espelho, mamífera, mulher.
Comentários
Postar um comentário